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Worlflow Sem Fita - Panasonic AJ-SPX800

Por Guilherme Whitaker em 09/11/2005 07:09



Worlflow Sem Fita - Panasonic AJ-SPX800 


Uma análise da AJ-SPX800, da Panasonic, que traz as facilidades da gravação em cartão de memória para o mundo real da produção. 

Nos últimos 30 anos muitos de nós que acompanhamos a indústria reconhecemos os grandes saltos tecnológicos apenas após os fatos terem acontecido, como no lançamento do U-Matic pela Sony em 1971, do Betacam em 1982, do DigiBeta em 1994; da Varicam da Panasonic em 2001 e da camcorder DVX-100 em 2002. Agora parece que estamos à beira de um novo salto quântico, mas dessa vez podemos ver o futuro se aproximando. Em dezembro, a Panasonic deve começar a entregar sua camcorder AG-HVX200 P2, estrela (ao menos em comentários) da NAB 2005. 

Apesar de seus recursos HD, a história contada pela HVX200 será provavelmente a da popularização do formato P2, de gravação em cartões de memória. Os compradores descobrirão o P2 e o extraordinário (aliás, revolucionário) sistema de trabalho que vem junto com ele. Para muitos artistas e produtores do mundo digital o P2 será provavelmente a grande história de 2006. Mas a tecnologia também faz parte do presente, com a câmera broadcast P2 atual da Panasonic, a AJ-SPX800. 

A SPX800 é uma câmera standard definition com CCD de 2/3" e modos de gravação 24p, 30p e 60i, em DVCPro 25 Mbps e 50 Mbps. A aparência é praticamente igual à da elegante SDX900, uma das melhores câmeras SD já desenvolvidas. 

Como sua equivalente SDX, a SPX800 trabalha com condições de muito pouca luz, com sensibilidade de apenas f13 a 2000 lux. Esta medida é bem mais fiel que a iluminação mínima anunciada por alguns fabricantes, que nem sempre correspondem à performance verdadeira. Muitas câmeras atuais chegam a f11, e algumas mais antigas funcionam com f8 (a 2000 lux), de forma que a SPX800 e a SDX900 são consideravelmente mais recomendadas para trabalhar em condições de pouca iluminação que a maioria das câmeras profissionais. Em meus próprios testes, gostei especialmente do ajuste de ganho de -3dB, com excelente manutenção de detalhes, imperceptível se comparado com concorrentes a 0 dB. 

Há diferenças que valem ressaltar na configuração física e nas opções de setup entre as duas câmeras. A SPX800, por exemplo, tem apenas um anel de filtro, em lugar de dois, mais comumente encontrados, como na SDX900. 

A SPX800 também apresenta um monitor de LCD lateral, recurso cada vez mais presente nas câmeras top-end. Outro recurso importado dos modelos "prosumer" é o zoom digital. Sim, eu também acreditava que nenhum profissional razoavelmente sério usaria esse recurso inútil. Mas agora admito que em alguns casos o zoom digital de 2X da SPX800 faz sentido. Em situações de pouca luz, o zoom óptico freqüentemente produz imagens muito escuras e de pouco contraste. O zoom digital da SPX, por outro lado, gera imagens aumentadas em 2X com qualidade equivalente e sem perda de luz ou contraste. É claro que em cenas de iluminação normal a magnificação óptica sempre produzirá imagens melhores, e deve ser usada como padrão em aplicações de rotina. 

Na ponta do dedo A SPX800 é uma delícia de usar e operar, uma vez que todos os controles essenciais estão ao alcance de um simples toque. Ou seja, o cinegrafista de campo que usar a câmera pela primeira vez rapidamente se sentirá em casa. Com décadas de experiência, posso garantir que poucas câmeras são tão confortáveis e fáceis de usar. 

A postura amigável da câmera aumentará a possibilidade de que você use os recursos permitidos pela plataforma P2. Um deles é a inicialização quase instantânea do equipamento. Partindo da câmera totalmente desligada, eu consegui gravar imagens em menos de dois segundos. Nada de esperar pelos tradicionais ruídos de ajuste do motor e das fitas. A palavra-chave da SPX800 é "instantâneo". Review instantâneo das imagens gravadas, avanço e recuo de imagem instantâneos, acesso randômico instantâneo.
Com capacidade para cinco cartões de memória P2, a SPX800 tem vantagens especiais. Primeiramente, a gravação é feita sem a presença de partes móveis. Nada de tensores, peças que saem de alinhamento, cabeças, tambores ou lasers que pegam poeira ou umidade. Qualquer que seja seu viés ideológico em relação à gravação em discos ópticos ou fitas, na minha cabeça a gravação em cartões oferece vantagens sobre ambas plataformas, em termos de eficiência no trabalho e confiabilidade. 

Vejamos primeiro o workflow (fluxo de trabalho). O cartão de 4 GB armazena cerca de 16 minutos de captação em DVCPro a 25 Mbps. Cartões de 8 GB com menores custos estarão disponíveis no segundo semestre, demonstrando a rápida evolução da tecnologia (a Panasonic afirma que a falha de contato não deve ser considerada um problema, pois cada cartão está preparado para um mínimo de 30 mil inserções). 

O cartão pode ser levado da câmera diretamente para um leitor PCMCIA de um editor não-linear instalado em um laptop. Trabalhando com Mac ou PC, um editor no campo pode ir diretamente ao ar, através de uma interface DV, sem ter que contar com a presença de um VT ou qualquer outro hardware para capturar as imagens. 

O P2 aparece na tela do computador como qualquer outro dispositivo de mídia, pronto para que as imagens sejam baixadas para o hard-disk com um simples arrastar-e-soltar do mouse. A transferência se dá a 1 GB por minuto. São quatro minutos para baixar um cartão de 4 GB cheio. 

O processo é lento por causa da conversão dos arquivos MXF para QuickTime, mas o processo de conversão está se tornando mais rápido com novas versões do software. 

Com uma única exceção, a SPX800 grava apenas em áreas brancas da memória, assim não há chance de se gravar acidentalmente em cima de outro material. Um cartão cheio pode ser removido mesmo com a câmera ligada e gravando em um outro cartão. Também é possível gravar em loop, em uma área determinada do cartão. 

Esta é a única possibilidade da câmera gravar por cima de outro material em um cartão P2.  E o preço? 

Uma boa questão: a capacidade limitada dos cartões e o custo relativamente alto por gigabyte. A um custo de US$ 1,7 mil por um cartão de 8 GB, a viabilidade do sistema parece um sonho distante. Mas segure-se na cadeira, a coisa não é tão simples.
O deck AJ-SPD850 (US$ 15 mil) funciona como uma ponte entre os mundos de vídeo e de TI (tecnologia da informação). Em muitas empresas, essa ponte é importante dada a prioridade de integração das novas plataformas ao workflow atual. 

O deck P2, com suas saídas e entradas de todos os tipos, lembra em tudo um VT tradicional, com funções de avanço-retrocesso e scrub de áudio. Não surpreende que a operação seja muito mais suave que a de um VT normal, porque, como a câmera, ele não tem partes mecânicas..Ainda assim, a este preço, muitos podem achar que o deck sai mais caro que partir direto para um mundo puramente TI. 

E esta é uma das belezas do sistema aberto P2. À medida em que os preços das mídias de armazenamento caem, mais pessoas optarão por deixar seus arquivos permanentemente nos servidores. Apenas adicionaremos mais drives e nunca voltaremos para a fita ou investiremos em novos VTs. 

Opcionais 

A AJ-SPX800 pode ser equipada opcionalmente com porta FireWire, por mais US$ 900 e/ou um cartão 601 SDI (US$ 935). O cartão de pré-gravação pelo qual muitos optaram na SDX900 é agora item de linha na SPX. O recurso permite a gravação de 15 segundos de vídeo a 25 Mbps em um buffer na própria câmera antes mesmo que se pressione o botão de rec. 

A Panasonic SPX800 tem pouca necessidade de criação de proxys de vídeo em MPEG-4, pois o sistema P2 permite acesso imediato ao material gravado. Ainda assim, a empresa oferece a opção de um cartão de proxy, com encoder MPEG-4, para aplicações mais específicas. 

Está ficando cada vez mais claro  que a opção por uma câmera vale um esforço considerável em estudo e pesquisa. Enquanto equipamentos caros como VTs e sistemas de edição vão se tornando commodities, a escolha de uma ferramenta de aquisição de alta performance fica ainda mais crítica. A AJ-SPX800 é uma dessas ferramentas - robusta, bem desenhada e capaz de produzir imagens espetaculares. As leves e baratas câmeras "consumer" podem estar ganhando popularidade em alguns círculos, mas a maioria dos cinegrafistas profissionais entendem a necessidade de um equipamento robusto, que tenha qualidade broadcast e um workflow adequado. 

Fonte: www.telaviva.com.br


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